quarta-feira, 9 de julho de 2008

A estratégia

2 de Maio 2007
Acordei e decidi começar um fantástico programa de treino secreto e individual: fazer gradualmente o percurso da prova, aumentando diariamente um km...
Neste dia fiz 18 minutos. E percorri 2,4 Kms...
Regressei a casa e chamei alguns nomes a mim próprio.Decidi que tinha de parar uns dias, tinha sido um treino muito violento... Estava convencido que tinha sido uma loucura exagerar logo no primeiro dia.
E eu até não me importo nada de cozinhar, de ter o pessoal cá em casa...
Se calhar era melhor esquecer a aposta, ia tentar chegar ao fim sem sofrer muito, sem treinos, como sempre.
Se ao menos corresse com uma bola à frente...

3 de Maio 2007
Acordei e fiz tudo de novo. Com o mesmo sofrimento, pesadão, a arrastar-me, balofo mesmo!

4 de Maio 2007
Acordei e fiz tudo de novo, mas fui mais longe. Fiz quase meia hora!!! "Maluco", pensei.
Estava preparado, já tinha feito cerca de 4 kms. Para sofrer, mais valia sofrer só no dia da prova...

E assim continuei, até dia 10.
Sem ninguém saber.
Estava preparadíssimo, seria a revelação da prova...

Como tudo começou...

1de Maio, 2007. A aposta...
A cavaqueira e o impropério do costume em casa já não sei de quem... A minha comadre, frequentadora assídua do Holmes Place, fanática por RPM e Body Combat na altura, lançou o desafio: "Pago um almoço se algum de vocês(homens) ficar à minha frente no Jovemaio - a prova de 10 kms anual do nosso bairro, organizada por essa ilustre instituição, o Águias Unidas do Fanqueiro - que frequentamos desde crianças, desde os bailes com slows, com apalpões, com beijos roubados, com as mães a guardar as filhas... Bons tempos!
Claro que aceitámos a aposta. Ela sempre foi fisiologicamente uma excelente atleta em potência, naturalmente. Corria sem esforço. Já eu, sempre fiz esta prova, mas a maior parte das vezes, depois de uma noite de copos quando era "vivo", depois de uma jantarada quando já era casado... mas participámos sempre, 5 ou 6 amigos de infância, colecciono as T-shirts das 26 edições da prova mais antiga do concelho do Seixal. O resultado era sempre o mesmo: bolhas várias, 3 ou 4 dias com dificuldades a andar e chegava sempre lado a lado com uma velhota de 70 anos que antecedia a ambulância e o carro-vassoura. Mas cheguei sempre ao fim. Era a minha vitória.
O ano passado, com esta aposta, as coisas mudavam de figura, o estímulo altíssimo, um churrasco sem eu ter de cozinhar, só sentar, comer e beber... Haveria motivação mais forte?
Pesava então 73 kgs, em todo o esplendor do meu metro e sessenta e sete...