quinta-feira, 19 de março de 2009

PAI

Ser filho único é mau? É bom?
Os "manuais" sociais dizem-nos que não é aconselhável. Consideram que há tipicidades próprias dos filhos únicos.
As especificidades com as quais me identifico são a total dependência emocional que tenho em relação aos meus pais, ao facto da sua boa saúde ser a minha boa saúde, à relação directa entre os seus sorrisos e os meus.
Não tenho tido a sorte suprema que é ter uns pais sempre viçosos, a envelhecer bem e cheios de saúde, com vontade de gozar a vida na plenitude das suas capacidades. Têm tempo, dinheiro, companhia, mas falta-lhes muitas vezes a predisposição necessária, que depressões nervosas inibem. Doença malvada, nada palpável, em que é difícil ajudar. Muito difícil.
A corrida, mais uma vez, tem-me ajudado a limpar a cabeça, a pensar também em mim, pois assim que acabo um treino, fico retemperado para ser outra vez um típico filho único - que ama o seu Pai. Sempre.
P.S. - O plano de 7 semanas para a Meia da Ponte terminou hoje.
Sábado: 30 minutos e alongamentos.
Domingo: o que eu puder e a Natureza deixar...
Objectivo: chegar feliz, mais feliz que à partida.
E que chova bastante!

domingo, 15 de março de 2009

Corrida das Lezírias

Prova com percurso muito bonito, agradável de se percorrer, mas não com a temperatura que esteve hoje. Foi a primeira vez que estive presente e encarei a prova como mais um treino para a Meia da Ponte sobre o Tejo. Mais uma vez parti mais rápido para ver quando quebrava, mais uma vez a quebra ocorreu logo a seguir aos 10 kms, em que passei com 42 minutos e qualquer coisa. A ponte não é tão fácil de subir como isso, ao contrário do que parece quando se olha de longe.
Acabei com 1h06m23s.
Fiquei com uma certeza. Com este calor no próximo domingo, muito dificilmente aguento 21 kms ao ritmo que pretendia.
Esta será uma prova a constar no meu calendário de provas a não faltar.
Gostei.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Um bom fim-de-semana é assim


Sábado
Uma viagem calma. Sol. Muito.
Chegada a Belmonte, check-in no Hotel Belsol, almoço em Valhelhas, no Restaurante "Só Adro".
Sopa Seca, uma espécie requintada de cozido serrano, uma maravilha. E buffet de sobremesas...
Só provei seis.
Subida à Torre, muita neve, muito sol, muitas fotos, muitas bolas de neve nos meus óculos...
Descida para o hotel, jantar. Bife à Marrare...Sobremesa: papas de milho morninhas, só eu é que provei.
Deitei-me com a certeza de ter efectuado um magnífico estágio para a prova da manhã seguinte, uma dieta rica em hidratos, como era exigível para atletas de tamanho gabarito...
Domingo
08.00h - Pequeno-almoço
Rumo a Manteigas, levantei os dorsais à pressa, decidi, felizmente,usar apenas t-shirt. Mandámos as esposas rumo à Meta(tinham de subir antes da partida) e fomos aquecer. Encontrámos os outros colegas do Águias e partimos às 10.30h.
Partida dada pela grande Rosa Mota de todos nós, que depois nos acompanhou na prova com toda a sua classe. Foi um prazer, uma honra, acompanhá-la. Ela foi em ritmo de passeio e eu fui à minha vida. O plano: partir devagar, gerir a respiração, estabilizar um ritmo. E lá fomos, primeiro os quatro, mas depois cada um na sua viagem. Como de costume. Os primeiros 1600m na vila, e depois, sempre para cima!
Correu bem, sabe bem não ser ultrapassado, sabe bem passar por colegas de clube que normalmente ficam à nossa frente, ajudá-los. Soube bem conseguir forçar o andamento e ter energia para isso nos últimos 3 kms. Sofri menos que o ano passado, muito menos e retirei 6 minutos ao tempo do ano passado. Objectivo cumprido.
Mas o que sabe bem mesmo é olhar em volta e ver o aceno do filho no alto duma rocha a 50m da meta.
Esperámos uns minutos pelos restantes do grupo, descemos, duche, e almoço no Fundão no Alambique, talvez dos melhores restaurantes do país, na minha opinião.
Regresso calmo, um espanhol a quem chamam Quique ainda fez por manchar um Domingo agradável com a sua péssima leitura de jogo, mas lá teve sorte e foi tudo bom. Tudo.
Para o ano há mais.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Contrastes

Gostaria de dedicar este post a todos os meus colegas da escola onde lecciono e que descobriram este meu receptáculo de pensamentos.
Dedico-o especialmente às raparigas e rapazes que a partir de Março começam uma frenética luta contra todas as pretuberâncias adiposas que encontram em seus roliços corpos, enriquecendo os revendedores da Herbalife e afins, mas continuando com o mesmo ritmo vagarosamente sedentário, tomando como exercício o movimento frenético da abertura e do fecho do frasquinho ou da caixinha própria com divisórias, onde guardam todas aquelas pílulas miraculosas...
Muitos já me conhecem desde Março de 2007, época em que não andava, rebolava...
E tenho uma foto dessa época nos primeiros posts deste blog, que de vez em quando revejo, para me congratular!
E lembrem-se, caminhar é bom, mas é como namorar com uma rapariga e não passar dos beijinhos...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Manteigas-Penhas Douradas

Por que é que uma prova em que se sofre a bom sofrer nos realiza tanto?
Porque gostamos de sofrer? Não. Ninguém gosta de sofrer!
Gostamos é do momento em que se pára de sofrer. E para se viver esse momento temos de sofrer primeiro. E quanto maior o sofrimento, melhor é o momento imediatamente posterior.
No ano passado, fui lá pela primeira vez, nunca tinha ouvido falar da prova, não sabia como era, só sabia, obviamente, como o nome indica, que seria a subir, claro.Inscrevi-me por mail.
Cheguei no sábado e fui esquiar com a família, naquela aberração de estância, que de estância só tem os preços dos alugueres, uma exorbitância.
Esperei pelos outros 4 casais que lá foram ter e passeámos, brincámos, fotografámos os miúdos e cansámo-nos. À noite, vá de pratos típicos de feijoca, com tudo. E uma bagaceira da casa...
E de noite ouviram-se muitas vezes os autoclismos...
Eu levei a camisola térmica, todo aprumadinho para o frio, mas eu tive foi muito calor!
Nunca caminhei, mas fiz a prova com a "fantástica" média de 06m30s/km. Um suplício!
Mas assim que terminei pensei:"Para o ano cá voltarei, para ser derrotado pela montanha, mas dando mais luta!"
E foi a partir desta prova que fiz os melhores tempos da época passada, a nível mental, para um novato como eu, é importante fazer estas provas, dão estofo anímico que nos permite encarar outras provas com mais capacidade de gerir o sofrimento que qualquer prova acarreta.
Para a semana lá estarei, com mais 5 casais e 12 crias, espero que com neve nas bermas...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A primeira Maratona...

Confesso aqui, que é com avidez que acedo aos blogs dos corredores mais experimentados para saber dos seus relatos da Maratona de Sevilha, a mais recente, e de outras.
Confesso que estou a sentir uma estranha "criatura minúscula" a invadir-me as entranhas, a empurrar-me para a experiência do "muro", para a pequena/grande glória que há em terminar pela PRIMEIRA vez a distância mágica. Este pensamento recorrente já rumina no meu íntimo há dois ou três meses, só abranda quando aparece uma inflamação no tendão e que me faz refrear os planos e penso:"tás a ver, ainda não tens estofo, já viste o que é estares inscrito para uma prova no estrangeiro e não poderes ir...". Mas quando a boa forma aparece recomeçam os planos, e penso em Londres 2010, penso no Porto, penso agora e com bastante entusiasmo na opção Sevilha, que me parece deveras atraente. Mas a primeira deve e tem de ser especial!
As dúvidas são muitas: em Portugal ou lá fora? Experiência solitária ou em grupo? Em que altura da época?
Conclusão: bem vai a minha vida quando os meus problemas se resumem a estas dúvidas!
Vou lendo e vou correndo.
Até que um dia vai acontecer.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

20 Kms de Cascais

Foi a 1ª vez que participei nesta prova e gostei. Gostei do sol, gostei da quase ausência de vento, a brisa no Guincho foi um tónico refrescante muito melhor que qualquer gel energético.
A quatro semanas da Meia da Ponte, o objectivo era tentar fazer 20 kms com um ritmo vivo, que me permita aspirar a fazer um bom tempo na Meia, que para mim seria 1h e 32m, ou na melhor das hipóteses, se TUDO corresse bem, baixar da hora e meia.
O objectivo foi cumprido. Ao contrário do que costumo fazer, não corri de trás para a frente, queria testar a minha condição e arranquei com o pessoal do clube que anda mais que eu, para ver até onde dava o "combustível". Fui com o meu amigo Jaime até à viragem, fizemos os 1ºs 10 kms em 42 e tal, e íamos os dois cheios de dores nas pernas, fui 6 kms com a perna esquerda dormente, sem saber por quê. Ao contrário do que poderia pensar, foi o Jaime que desistiu e eu segui sozinho até ao fim, a gerir a média, que ia aumentando, mas que mesmo assim deu para fazer o que estava no plano: menos de 1h e 30m, 04m25s de média. Mas deu para constatar que o "combustível" só deu para 16kms ao ritmo exigido na Meia da Ponte. Vamos continuar "a trabalhar"... (pareço o Luisão...)
Para o ano tenho de ir outra vez para receber a t-shirt com o meu nome lá...